Arquivo | Uncategorized RSS feed for this section

Borboletas no estômago

18 out

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Contou-me que nem todas as borboletas vivem por apenas um dia. Ainda contestei, na minha maldade, no meu pessimismo tão humano. Mas a maioria morre. A maioria, mas existem algumas que vivem mais de um dia. Que vivem por anos e anos. Algumas vivem. Não se perdem em apenas um dia. Podem carregar nas asas o peso e a delícia de esbanjar a beleza pelos olhos das pessoas. Ele não sabe, mas acabou de me salvar. O casulo abriu-se e meu amor tornou-se borboleta. Não é mais feiosa lagarta que se arrasta e come e é gorda, lenta, sem graça, causadora do asco. Vivendo apenas para cumprir seu destino de mudança. Meu amor foi lagarta asquerosa. Minha lagarta virou casulo. Meu amor,d e tão feio e incompreendido, escondeu-se num casulo mal visto. Um casulo mal visto que traz esperança porque todo casulo dá origem a uma linda borboleta. Mas meu amor, ah, meu amor não queria ser borboleta. Elas não vivem mais de um dia. Eu prefiro que meu amor viva dentro desse lugar escuro, sem ser visto e admirado, do que presenciar sua morte ao fim do dia. As borboletas todas morriam ao final do meu dia. E eu chorava. eu sentia toda a tristeza do mundo por perder belas borboletas. Eu sentia alívio por meu amor estar vivo, feioso dentro do casulo. Mas ele contou-me. Borboletas vivem por aí. Borboletas vão sobreviver a essa noite e vão dormir comigo o sono dos que tem um novo dia pra sofrer a dor e a delícia de trazer a beleza da vida nas asas. Ele colocou minha vida sobre as asas de uma borboleta dessas raras que vivem e sobrevivem por aí. Ele deu coragem ao meu amor para sair do casulo e quem sabe ser uma borboleta bonita e ágil e eterna voando pelo céu e pousando nas flores. Ele colocou minha vida nas asas da borboleta do amor. O belo bater das asas que são seus belos cílios no abrir e fechar de seus olhos que o tempo todo miram meu medo de ser lagarta. Contando-me sobre as algumas raras borboletas, ele salvou minha vida e nem sabe. Quem sabe eu viro borboleta. Ele sabe.

 

 

 

Anúncios

Pra você guardei o amor.

8 jun

Me lembro de abrir aquele papel dobrado por qualquer garota da sala e li ‘se o coração bater forte e arder no fogo, o gelo vai queimar’. Achei engraçado porque eu nunca tinha parado para ouvir a música. Calminha demais pra mim. Melosa demais pra mim. Mas é, pra você guardei o amor. O amor que nunca soube dar, o amor que vive em mim e vem visitar. Pra você guardei o amor que todo esse tempo escondi dentro de mim mesma, por ser mais seguro. E agora me lembro de tantas vezes que fui menina e acariciei seus cabelos, com gestos leves. Que afastei seus medos com sonhos cor-de-rosa. Pra você, agora eu sei. Só não sei mais o que fazer com todo amor que deixei vir a tona. Só não sei o que você ainda pode fazer com o amor que escrevi em cartas e escondi em sua primeira gaveta. Papéis dobrados por minhas próprias mãos ora rudes e autodefensivas demais. Pra você guardei a menina que ninguém diz que sou. Pra você fui amiga, amante, amor. Pra você, tenho certeza, fui a experiência mais incrível que você um dia pode e poderá ter. Fui quem entendeu o que o amor diz no giz do gesto, o jeito pronto do piscar dos meus cílios que o convite do silêncio exibe em cada olhar. E te ensinei. Porque tudo isso, meu amor, agora eu sei, guardei pra você.

Dois sorrisos e meia palavra.

6 jun

Mas o que seria da vida se o mundo não nos pregasse essas surpresas? Se o mundo não desmentisse nossas verdades absolutas? O mundo é divertido. (…) Ele tem um sorriso sem marcas, de uma doçura sem mágoas. Ele é limpo das dores do mundo. E ainda que isso torne a sua alegria um pouco sem profundidade, faz com que a superfície brilhe tanto que nada mais importe. Ele anda o dia inteiro pra cá e pra lá, resolvendo seus problemas de estagiário, com o rosto mais lindo do mundo. E eu vou junto. O dia inteiro pra lá e pra cá, o dia inteiro pra frente e pra trás enquanto ele vai, o dia inteiro disfarçando enquanto ele vem. O dia inteiro desejando que ele apareça para me dar vida, e que ele desapareça para me dar ar. Quando a voz dele, que ainda não é grossa, que ainda não é firme, sussurra para mim tudo o que eu preciso ouvir, eu sei que aquela é a voz que minha alma precisa. Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisa. Ele não faz muito por minha angústia existencial, até por não saber dela. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve. Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto. Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto pra desejar por aí. E aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples. Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa. Uma vida, tipo assim, se pá, irada!

Fugidinha.

5 jun

Não sei se ele ainda pensa nisso. Mas ela se lembra como se fosse ontem. Ela queria que fosse ontem. Marcaram de sair de suas respectivas casas às seis e meia da tarde. Mas nessa de se maquiar, escolher roupa, secar o cabelo, ela saiu perto de meia hora depois do combinado. Chegou ao local procurando por ele com o olhar. Encontrou-o com amigos. Ele estava bem na parada, as pessoas não podiam entender. Ela tinha chegado à festa e todos paravam para ver. Se cumprimentaram primeiro. Queriam, de pronto, um beijo demorado. Não podiam. Debaixo da mesa, as mãos se procuravam, as pernas se encontravam, se tocavam. Tudo dando certo. A garota cntou a novidade para a melhor amiga com apenas um olhar. Ele confirmou também com os olhos. Estavam espertos, não podiam colocar tudo a perder. Entre sorrisos maliciosos e palavras destinadas, eles se admiravam. Sempre tem aquela pessoa especial. Mesmo depois de tanto tempo ao lado, sem perceber, sem querer olhar. Haviam se encontrado. Ela ficava na dela, ele conhecia seu próprio potencial. Impossível explicar como mexiam um com outro. Paixão, loucura, desejo… Um perigo! E logo naquele momento em que ele ficou legal. Muito claro nos olhos do casal o quanto a vontade de agarrarem-se estava matando-os. Não sabiam por quanto tempo poderiam suportar. Mas tinham um problema: ninguém podia saber. Era o combinado. Para os lábios se colarem, pensaram no que fazer: quando os convidads da festa enfim se destraiam, eles logo se olhavam. O jeito é dar uma fugida com você. E nos cantos, bem escondidos, beijavam-se loucamente. Se queriam e se tinham. A noite fria fria de um sábado de junho ficou gravada pela música que ainda toca na rádio e em suas mentes quando a lembrança vem visitar. Eu sei, ele ainda pensa. Ela prefere dizer: foge comigo, depois a gente vê.

Que dá vontade, dá.

4 jun

É estranho entrar hoje no banheiro, olhar pro espelho e meio que ver a cena se repetindo. Uma sexta-feira tão boba e inútil como hoje o sábado é. Tão frio, tanto tédio, a minha cama me chamando. E um sms fez o mundo girar mais rápido. O filme, nem vi. A campainha, nem ouvi. O tempo, não senti passar. O arrepio percorre o meu corpo até agora. Naquele dia me apaixonei pela sua varanda, à primeira vista. Talvez agora eu saiba porquê. Porque você veio atrás de mim e me abraçou, me embalou e rimos porque a sua mãe nem sabia e eu não disfarcei. Como podia não ter lua? Tinha mil luzinhas lá na frente. Tinha o meu coração ainda acelerado da noite passada. Tinha uma atmosfera diferente ao meu redor, que me fazia respirar num ritmo diferente, ainda que eu me sentisse muito calma e protegida naquele seu abraço que me envolveu e me cobriu. Me cobriu de alguma coisa que eu não conhecia. Que não era só carinho, mas que não era paixão. Era outro mundo, outra coisa, outra sensação. Era a sua varanda. Era a sua casa. E éramos nós. Um nós suspeitado por todos e completamente ignorado pelas nossas consciências. De repente, a minha obrigação de cuidar das suas dores servia apenas pra mascarar a incrível vontade que estávamos de nos ter alí mesmo. Na varanda. Eu quis te ter. Eu quis ser sua. De repente, eu queria te desligar do mundo e de todos os seus medos. Eu queria te guardar. Não mais me proteger, mas TE proteger sob o meu peito. Completamente estranho e diferente de tudo o que sou. Então estávamos a assistir ao filme que eu já sabia de cor. Ainda dou risada quando lembro o jeito como sentei na sua cama. Você precisou me encorajar. Vem cá, deita aqui comigo. Só de pensar quantos filmes já assistimos naquela cama que se tornou tão minha, tão meu abrigo, meu refúgio. Ainda dou risada de como eu tentava fugir, te tirando de cima de mim. Presta atenção no filme que essa parte é importante! Ainda sinto um pouco a falta daquela eu na sua cama. Daquela eu meio inocente, meio perdida, e que mesmo assim se escondia tanto. Que se escondia também de você. Que fugia loucamente das suas garras. Foram meus primeiros sinais de fraqueza, agora vejo. Mas sinto ainda um quente dentro do peito quando me lembro da loucura que era ter meu corpo tão grudado ao seu. Ainda dou risada quando penso que você prendia meus braços, mas minhas pernas iam escorregando pela parede. Ainda dou risada quando você subitamente parou de me beijar. Você ouviu a campainha? Me diz, como eu poderia ouvir a campainha? Minhas amigas ainda riem quando eu bagunço o cabelo e repito essa cena, dizendo o quanto você realmente não faz propaganda de bobeira. Minhas amigas ainda riem por me ver nesse estado, tão louca por um novo sms nesse sábado frio e tedioso. Eu disse que ia passar, que mudaríamos de fase, contexto, sei lá. Mas me lembro de como o meu corpo era uma completa bagunça quando eu cheguei em casa, naquela sexta-feira. E eu ria por ainda sentir meu corpo se arrepiar inteiro quando lembrava da sua voz no meu ouvido. Sempre digo que vou parar com isso. Mas agora, no banheiro, olhando para o espelho como naquela noite, a cena se repete em minha memória. E que dá vontade, dá, de jogar tudo pro ar e assistir ao Deja vú com você.

The only exception

3 jun

Hoje eu sei porque não conseguia escrever nada a seu respeito. É que eu só conhecia as palavras que traduziam a dor. E você veio me ensinar uma coisa nova, um comichãozinho dentro do peito que quando senti, só consegui dizer: Engraçado como o meu coração acelerou quando você me deu aquele beijo. Okay, fico feliz por não estar chorando nem nada, por não estar presa debaixo daquela escada de concreto cru. Fico feliz por, na ocasião, encontrar uma música que traduzisse tudo. Tudo o que eu não sabia como falar. Quem diria, não é, que eu teria problemas em me expressar! Quem diria, não é? Quem diria. Era nossa frase preferida. Nosso poema-pílula. Moderninha demais essa nossa relação sem nenhum tipo de noção. Sabe como é, eu não sabia escrever sobre você porque você não fazia sentido. Mas aí teve aquele dia em que a gente tava lá se matando de estudar e brincar e rir e de repente ficamos quetos. Se fosse um filme, nesse momento a gente se beijaria. Nossa história não foi um filme, mas poderia ser. Nossa história pode ser chamada assim: história. Cheia de capítulos, erros de ortografia e pontuação. Não um livro. Um filme. Um filme daqueles meio sem nexo que quando termina… Bem, não termina. E não precisa fazer sentido. Só precisa que eu agradeça um pouco a você e a Deus por ter te desenhado no meu livro de vida. Engraçado né? Hoje eu sei porque não conseguia escrever sobre ti. É que sou uma menina travessa que queria brincar com o destino. Pagar pra ver. E acabei esquecendo que travesso mesmo é o destino que prega peças na gente. Pregou. To aqui pregada nessa cadeira escrevendo mais uma vez. Escrevendo mais um dia. Escrevendo o 345º dia da brincadeira que era pra ser de uma semana. Porque todos os outros permaneceram aqui por uma semana. Uma exata semana. De brincadeirinha. A brincadeirinha que eu adoro fazer pra me distrair, pra passar o tédio. Quem diria, você passou de fase! Logo você. E eu não sabia escrever pra ti porque você ultrapassou o meu limite. Você me fez arrancar os cabelos e ligar chorando. Você provocou em mim um monstro e uma menina. Você quis ser a inspiração pras minhas palavras. Mas como eu iria escrever sobre você? COMO? Se você era diferente. Se você… Se você veio pra me mostrar que não era mais um cara. VOCÊ NÃO ERA MAIS UM CARA! Quem diria, você não era mais um cara. Quem diria, eu não queria mais um cara. Quem diria, eu não queria mais brincar. Não sabia escrever sobre você porque não sabia mais quem você era, já que não era mais um brinquedo torto que se vendia baratinho pelos meus olhos claros e minhas teorias interessantes. Não sabia o que dizer de alguém que cuidou de mim quando eu não tinha ar, que me deu sua blusa, seu colo, seu beijo, sua cama, seu cafuné. Nenhum outro garoto fez isso por você, não é? É, nenhum outro. E por serem tão pequenos, rasos e comuns, eu sabia escrever sobre todos eles. E sabia o que sentia por todos eles. Tédio, graça, sei lá. Por você… O que a gente sente por um cara assim? Eu senti um comichão. Eu senti o coração disparar debaixo da escada de concreto cru numa noite de luar lindo e limpo, numa noite de violão que eu quis quebrar na cabeça do artista. Hoje sei escrever sobre você. Hoje talvez você nem leia minhas palavras porque está cansado de ouvir minhas choradeiras, ler minhas cartas. Ninguém mandou me ensinar a escrever. Ninguém mandou me ensinar a ser uma menininha. Porque eu aprendo fácil. E aprendi fácil o mais difícil: admitir. Admitir que sinto sim saudade daquela noite. Admitir que talvez eu tenha mesmo sentido esse comichão maior que a gente chama de amor. Admitir que eu mesma impus que não havia nada disso. Que não era amor mesmo, mas isso que era é muito libertador. Quem diria, cara, eu aprendi a falar de você. Em um ano aprendi que sou metida a sabichona, mas que na verdade não sei nada de como sobreviver a uma noite de luar. E depois de tantos dias de risada, brincadeira, beijo, desejo, ternura, cafuné, mensagens, sei lá, eu iria escrever um post de aniversário sendo que nem gosto de aniversários. Um post sobre você. Um post que mostra que eu aprendi alguma coisa sobre exceções. Porque eu talvez saiba em algum lugar da minha alma que o amor nunca dura, mas que você é a única exceção. A minha exceção. Hoje eu sei.

Leonardo.

29 abr

Paro e olho ao redor. Uma ou duas vezes. As pessoas vêem apenas mais uma garota que se senta sozinha na areia da praia. Eu vejo um mar de inconstância e incerteza. É, Léo, eu sento sozinha aqui pra te pedir desculpas. Sabe, o mar não me dá mais aquele comichão na alma como era de costume. Não tenho mais saudades de olhos verdes ou coisa do tipo. O mar também não me diz muita coisa agradável quanto a tudo que é novo (e que, por sinal, torna-se já velho). Ele apenas me machuca com esse movimento de lavar os nomes e castelos que eu insisto em esculpir na areia. Bem que você me avisou. Bem que você me desejou o que fosse de mais profundo e mais bonito e mais grandioso pra minha vida. Um show, um livro, um amor e um café, sei lá. Qualquer coisa. Simplérrima ou extravagante. Que fosse. Você bem que me pediu pra ser feliz e aproveitar o mundo que eu sei ter nas mãos. E por isso eu peço desculpas. Léo, confesso, eu não consigo. Eu não consegui. Eu fico burra, cega e linda toda vez que tenho a oportunidade de sair da capa. Você sabe disso né? Ok, eu também sei que eu não preciso disso, você já me falou. Mas é que é tão maior que eu… Tá bom, Léo. Olhando pro mar, eu não olho pra nada e vejo como o nada me incomoda. O belo me incomoda. O feio me incomoda. A vida. Me incomoda porque é tudo tão reflexo de mim e eu, depois de um ápice de narcisismo, me resumo a coadjuvante de meu próprio filme B. O que eu faço, ein? O que faço pra ter a sua admiração de volta? Melhor: o que faço pra voltar a me admirar? Eu preciso, PRECISO parar de contar mentiras para mim mesma. Preciso levantar, urgente. Decidi, andando pela calçada, que vou sim, Léo, te ouvir. Vou correr atrás da minha vida. Vou crescer, comer bem, rir de tudo, escrever uma fantasia bem bonita. Mas você sabe, né? Eu não me canso de repetir o ciclo: sonho, caio e digo que vai passar. Realmente passa, mas depois volta. Eu tô cansada, Léo. Esgotada, frustrada, magoada. Eu queria parar de fingir. Eu queria ser menos dependente de uma história bem contada. Léo, eu só te peço desculpa. Porque é isso que a gente faz: se desculpa por viver tão humanamente errado.