Pra você guardei o amor.

8 jun

Me lembro de abrir aquele papel dobrado por qualquer garota da sala e li ‘se o coração bater forte e arder no fogo, o gelo vai queimar’. Achei engraçado porque eu nunca tinha parado para ouvir a música. Calminha demais pra mim. Melosa demais pra mim. Mas é, pra você guardei o amor. O amor que nunca soube dar, o amor que vive em mim e vem visitar. Pra você guardei o amor que todo esse tempo escondi dentro de mim mesma, por ser mais seguro. E agora me lembro de tantas vezes que fui menina e acariciei seus cabelos, com gestos leves. Que afastei seus medos com sonhos cor-de-rosa. Pra você, agora eu sei. Só não sei mais o que fazer com todo amor que deixei vir a tona. Só não sei o que você ainda pode fazer com o amor que escrevi em cartas e escondi em sua primeira gaveta. Papéis dobrados por minhas próprias mãos ora rudes e autodefensivas demais. Pra você guardei a menina que ninguém diz que sou. Pra você fui amiga, amante, amor. Pra você, tenho certeza, fui a experiência mais incrível que você um dia pode e poderá ter. Fui quem entendeu o que o amor diz no giz do gesto, o jeito pronto do piscar dos meus cílios que o convite do silêncio exibe em cada olhar. E te ensinei. Porque tudo isso, meu amor, agora eu sei, guardei pra você.

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