Que dá vontade, dá.

4 jun

É estranho entrar hoje no banheiro, olhar pro espelho e meio que ver a cena se repetindo. Uma sexta-feira tão boba e inútil como hoje o sábado é. Tão frio, tanto tédio, a minha cama me chamando. E um sms fez o mundo girar mais rápido. O filme, nem vi. A campainha, nem ouvi. O tempo, não senti passar. O arrepio percorre o meu corpo até agora. Naquele dia me apaixonei pela sua varanda, à primeira vista. Talvez agora eu saiba porquê. Porque você veio atrás de mim e me abraçou, me embalou e rimos porque a sua mãe nem sabia e eu não disfarcei. Como podia não ter lua? Tinha mil luzinhas lá na frente. Tinha o meu coração ainda acelerado da noite passada. Tinha uma atmosfera diferente ao meu redor, que me fazia respirar num ritmo diferente, ainda que eu me sentisse muito calma e protegida naquele seu abraço que me envolveu e me cobriu. Me cobriu de alguma coisa que eu não conhecia. Que não era só carinho, mas que não era paixão. Era outro mundo, outra coisa, outra sensação. Era a sua varanda. Era a sua casa. E éramos nós. Um nós suspeitado por todos e completamente ignorado pelas nossas consciências. De repente, a minha obrigação de cuidar das suas dores servia apenas pra mascarar a incrível vontade que estávamos de nos ter alí mesmo. Na varanda. Eu quis te ter. Eu quis ser sua. De repente, eu queria te desligar do mundo e de todos os seus medos. Eu queria te guardar. Não mais me proteger, mas TE proteger sob o meu peito. Completamente estranho e diferente de tudo o que sou. Então estávamos a assistir ao filme que eu já sabia de cor. Ainda dou risada quando lembro o jeito como sentei na sua cama. Você precisou me encorajar. Vem cá, deita aqui comigo. Só de pensar quantos filmes já assistimos naquela cama que se tornou tão minha, tão meu abrigo, meu refúgio. Ainda dou risada de como eu tentava fugir, te tirando de cima de mim. Presta atenção no filme que essa parte é importante! Ainda sinto um pouco a falta daquela eu na sua cama. Daquela eu meio inocente, meio perdida, e que mesmo assim se escondia tanto. Que se escondia também de você. Que fugia loucamente das suas garras. Foram meus primeiros sinais de fraqueza, agora vejo. Mas sinto ainda um quente dentro do peito quando me lembro da loucura que era ter meu corpo tão grudado ao seu. Ainda dou risada quando penso que você prendia meus braços, mas minhas pernas iam escorregando pela parede. Ainda dou risada quando você subitamente parou de me beijar. Você ouviu a campainha? Me diz, como eu poderia ouvir a campainha? Minhas amigas ainda riem quando eu bagunço o cabelo e repito essa cena, dizendo o quanto você realmente não faz propaganda de bobeira. Minhas amigas ainda riem por me ver nesse estado, tão louca por um novo sms nesse sábado frio e tedioso. Eu disse que ia passar, que mudaríamos de fase, contexto, sei lá. Mas me lembro de como o meu corpo era uma completa bagunça quando eu cheguei em casa, naquela sexta-feira. E eu ria por ainda sentir meu corpo se arrepiar inteiro quando lembrava da sua voz no meu ouvido. Sempre digo que vou parar com isso. Mas agora, no banheiro, olhando para o espelho como naquela noite, a cena se repete em minha memória. E que dá vontade, dá, de jogar tudo pro ar e assistir ao Deja vú com você.

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