The only exception

3 jun

Hoje eu sei porque não conseguia escrever nada a seu respeito. É que eu só conhecia as palavras que traduziam a dor. E você veio me ensinar uma coisa nova, um comichãozinho dentro do peito que quando senti, só consegui dizer: Engraçado como o meu coração acelerou quando você me deu aquele beijo. Okay, fico feliz por não estar chorando nem nada, por não estar presa debaixo daquela escada de concreto cru. Fico feliz por, na ocasião, encontrar uma música que traduzisse tudo. Tudo o que eu não sabia como falar. Quem diria, não é, que eu teria problemas em me expressar! Quem diria, não é? Quem diria. Era nossa frase preferida. Nosso poema-pílula. Moderninha demais essa nossa relação sem nenhum tipo de noção. Sabe como é, eu não sabia escrever sobre você porque você não fazia sentido. Mas aí teve aquele dia em que a gente tava lá se matando de estudar e brincar e rir e de repente ficamos quetos. Se fosse um filme, nesse momento a gente se beijaria. Nossa história não foi um filme, mas poderia ser. Nossa história pode ser chamada assim: história. Cheia de capítulos, erros de ortografia e pontuação. Não um livro. Um filme. Um filme daqueles meio sem nexo que quando termina… Bem, não termina. E não precisa fazer sentido. Só precisa que eu agradeça um pouco a você e a Deus por ter te desenhado no meu livro de vida. Engraçado né? Hoje eu sei porque não conseguia escrever sobre ti. É que sou uma menina travessa que queria brincar com o destino. Pagar pra ver. E acabei esquecendo que travesso mesmo é o destino que prega peças na gente. Pregou. To aqui pregada nessa cadeira escrevendo mais uma vez. Escrevendo mais um dia. Escrevendo o 345º dia da brincadeira que era pra ser de uma semana. Porque todos os outros permaneceram aqui por uma semana. Uma exata semana. De brincadeirinha. A brincadeirinha que eu adoro fazer pra me distrair, pra passar o tédio. Quem diria, você passou de fase! Logo você. E eu não sabia escrever pra ti porque você ultrapassou o meu limite. Você me fez arrancar os cabelos e ligar chorando. Você provocou em mim um monstro e uma menina. Você quis ser a inspiração pras minhas palavras. Mas como eu iria escrever sobre você? COMO? Se você era diferente. Se você… Se você veio pra me mostrar que não era mais um cara. VOCÊ NÃO ERA MAIS UM CARA! Quem diria, você não era mais um cara. Quem diria, eu não queria mais um cara. Quem diria, eu não queria mais brincar. Não sabia escrever sobre você porque não sabia mais quem você era, já que não era mais um brinquedo torto que se vendia baratinho pelos meus olhos claros e minhas teorias interessantes. Não sabia o que dizer de alguém que cuidou de mim quando eu não tinha ar, que me deu sua blusa, seu colo, seu beijo, sua cama, seu cafuné. Nenhum outro garoto fez isso por você, não é? É, nenhum outro. E por serem tão pequenos, rasos e comuns, eu sabia escrever sobre todos eles. E sabia o que sentia por todos eles. Tédio, graça, sei lá. Por você… O que a gente sente por um cara assim? Eu senti um comichão. Eu senti o coração disparar debaixo da escada de concreto cru numa noite de luar lindo e limpo, numa noite de violão que eu quis quebrar na cabeça do artista. Hoje sei escrever sobre você. Hoje talvez você nem leia minhas palavras porque está cansado de ouvir minhas choradeiras, ler minhas cartas. Ninguém mandou me ensinar a escrever. Ninguém mandou me ensinar a ser uma menininha. Porque eu aprendo fácil. E aprendi fácil o mais difícil: admitir. Admitir que sinto sim saudade daquela noite. Admitir que talvez eu tenha mesmo sentido esse comichão maior que a gente chama de amor. Admitir que eu mesma impus que não havia nada disso. Que não era amor mesmo, mas isso que era é muito libertador. Quem diria, cara, eu aprendi a falar de você. Em um ano aprendi que sou metida a sabichona, mas que na verdade não sei nada de como sobreviver a uma noite de luar. E depois de tantos dias de risada, brincadeira, beijo, desejo, ternura, cafuné, mensagens, sei lá, eu iria escrever um post de aniversário sendo que nem gosto de aniversários. Um post sobre você. Um post que mostra que eu aprendi alguma coisa sobre exceções. Porque eu talvez saiba em algum lugar da minha alma que o amor nunca dura, mas que você é a única exceção. A minha exceção. Hoje eu sei.

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