Leonardo.

29 abr

Paro e olho ao redor. Uma ou duas vezes. As pessoas vêem apenas mais uma garota que se senta sozinha na areia da praia. Eu vejo um mar de inconstância e incerteza. É, Léo, eu sento sozinha aqui pra te pedir desculpas. Sabe, o mar não me dá mais aquele comichão na alma como era de costume. Não tenho mais saudades de olhos verdes ou coisa do tipo. O mar também não me diz muita coisa agradável quanto a tudo que é novo (e que, por sinal, torna-se já velho). Ele apenas me machuca com esse movimento de lavar os nomes e castelos que eu insisto em esculpir na areia. Bem que você me avisou. Bem que você me desejou o que fosse de mais profundo e mais bonito e mais grandioso pra minha vida. Um show, um livro, um amor e um café, sei lá. Qualquer coisa. Simplérrima ou extravagante. Que fosse. Você bem que me pediu pra ser feliz e aproveitar o mundo que eu sei ter nas mãos. E por isso eu peço desculpas. Léo, confesso, eu não consigo. Eu não consegui. Eu fico burra, cega e linda toda vez que tenho a oportunidade de sair da capa. Você sabe disso né? Ok, eu também sei que eu não preciso disso, você já me falou. Mas é que é tão maior que eu… Tá bom, Léo. Olhando pro mar, eu não olho pra nada e vejo como o nada me incomoda. O belo me incomoda. O feio me incomoda. A vida. Me incomoda porque é tudo tão reflexo de mim e eu, depois de um ápice de narcisismo, me resumo a coadjuvante de meu próprio filme B. O que eu faço, ein? O que faço pra ter a sua admiração de volta? Melhor: o que faço pra voltar a me admirar? Eu preciso, PRECISO parar de contar mentiras para mim mesma. Preciso levantar, urgente. Decidi, andando pela calçada, que vou sim, Léo, te ouvir. Vou correr atrás da minha vida. Vou crescer, comer bem, rir de tudo, escrever uma fantasia bem bonita. Mas você sabe, né? Eu não me canso de repetir o ciclo: sonho, caio e digo que vai passar. Realmente passa, mas depois volta. Eu tô cansada, Léo. Esgotada, frustrada, magoada. Eu queria parar de fingir. Eu queria ser menos dependente de uma história bem contada. Léo, eu só te peço desculpa. Porque é isso que a gente faz: se desculpa por viver tão humanamente errado.

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